O que trouxe de diferente Cannes 2017?

Ogilvy


25 de julho de 2017

Jorge Coelho, Executive Creative Director, Ogilvy & Mather Portugal

Este Festival de Cannes foi diferente. Todos os anos é suposto ser, por isso esta afirmação inicial pode parecer uma tremenda banalidade. Mas este ano houve de facto alguns pontos diferentes e que merecem que não desista já deste texto.

Para começar, os financeiros juntaram-se à festa.
Já em 2010, o estudo de Peter Field (The Link Between Creativity and Effectiveness, IPA, 2010) dizia-nos que campanhas inscritas nos Prémios à Eficácia do IPA, premiadas anteriormente em festivais de criatividade, eram, em média, 11 vezes mais eficazes do que outras sem prémios. (mais sobre este tema aqui: http://www.ogilvy.com/wp-content/uploads/2014/03/The-Ogilvy-Mather-guide-to-effectiveness.pdf ).

Agora é a McKinsey quem vem informar-nos de que as empresas com boa performance em prémios criativos tendem a superar as que não o fazem em várias métricas financeiras, nomeadamente Organic Revenue Growth, TRS e NEV/forward EBITA.
(mais sobre este outro tema aqui: http://www.mckinsey.com/business-functions/digital-mckinsey/our-insights/creativitys-bottom-line-how-winning-companies-turn-creativity-into-business-value-and-growth ).

Nós todos publicitários já intuíamos isto de alguma forma mas, agora, creio que é cada vez mais evidente como não apostar em criatividade é optar por ter menos crescimento, menos sucesso, menos euros e, claro está, menos clientes.

Mas Cannes também foi diferente este ano porque, internacionalmente, se ouviu gritar mais alto e mais vezes o que antes se dizia em surdina: “o rei vai nu”.
Este já não é o festival de criatividade sobre comunicação comercial. É, em si, um produto comercial que pode começar a não fazer sentido e a custar demasiado caro. Daí que a Publicis anunciou já que não vai estar presente na próxima edição e o CEO do Grupo WPP que é preciso repensar o festival ou…

Para Portugal 2017 foi, infelizmente, diferente do ano passado porque os troféus e nomeações ficaram-se pelo mínimo dos mínimos. Ao contrário do futebol, da canoagem, da música ligeira, Portugal, os portugueses e as nossas empresas parecem não apostar a sério neste festival - leia-se na criatividade.
E é pena.
O país das Startups e do WebSummit é também o país que investe pouco (não só em valor como em coragem) em comunicação e no retorno que ela pode trazer às marcas.
Temos cada vez menos marcas portuguesas icónicas - cada vez menos Love National Brands - e cada vez mais marcas internacionais com estratégias de adaptação do que se faz centralmente, no hub criativo de Madrid, Frankfurt, Londres ou Paris.

Fica o pensamento e alguns exemplos do que ganhou em Cannes este ano.

Título: GOOGLE HOME OF THE WHOPPER
Cliente: Burger King
Agência: David Miami
Prémios: Grand Prix / Direct Lions / 2017
Gold / Mobile lions / 2017
Gold / Direct Lions / 2017
Silver / Cyber Lions / 2017
Silver / Mobile lions / 2017
Silver / Direct Lions / 2017
Silver / Mobile lions / 2017
Silver / Entertainment Lions / 2017
Bronze / Cyber Lions / 2017
Bronze / Creative Data Lion / 2017
Bronze / Media Lions / 2017
Bronze / Cyber Lions / 2017
Bronze / Promo and Activation Lions / 2017
Bronze / Media Lions / 2017

https://youtu.be/e2yYeTlAl5I


Título: KFC SAD MAN MEAL
Cliente: KFC
Agência: Ogilvy & Mather-Johannesburg
Prémios: Grand Prix / Radio Lions / 2017

https://youtu.be/GodKfn3DTys


Título: CADBURY PRE-JOY
Cliente: MONDELEZ
Agência: Ogilvy & Mather-Johannesburg
Prémios: Gold / Film Lions / 2017

https://youtu.be/stdQYdTJdME?list=PLrwJB3m6p1oWaMaM9g8xeLSk_agjGvL7K